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Site falso imita “Gov Br” para cobrar taxas de usuários

sites fraudulentos que imitam o portal oficial do governo têm sido usados para enganar concurseiros.

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Imagem ilustrativa de site falso do "Gov Br"
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Aquela sensação de um e-mail ou anúncio chamativo no Instagram prometendo uma indenização ou resgate de alguma quantia esquecida no banco pode parecer tentadora, afinal, quem não gostaria de recuperar “valores perdidos”?

Mas é justamente de “promessas mágicas” e tentadoras como essas que muitos golpes usam como isca para capturar dados pessoais e até realizar cobranças indevidas.

Recentemente, cibercriminosos têm usado técnicas avançadas de inteligência artificial e engenharia social para criar páginas fraudulentas tão convincentes que facilmente se confundem com o portal oficial do governo, o famoso gov.br.

Eles se aproveitam da confiança depositada nessa plataforma e investem em réplicas quase perfeitas de layout e cores semelhantes ao original, para atrair vítimas.

Conforme já denunciado pelo site do Tecmundo, os golpistas utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa (como DeepSite AI e BlackBox AI) para desenvolver réplicas quase idênticas de portais oficiais de órgãos, como o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e o Ministério da Educação (MEC).

Por dentro do mecanismo da fraude “gov.br”

Primeiramente, o importante a destacar é o quanto o cerne dessa fraude está na engenharia social aliada à tecnologia.

Os criminosos não são mais amadores: são organizados, usam ferramentas de IA generativa, para criar réplicas quase idênticas de portais governamentais.

Dessa forma, eles então manipulam mecanismos de busca para que esses sites falsos – com URLs enganosas como “govbrs.com”, “gov-brs.com” ou “gov.br.concursoescola.org”  – apareçam no topo dos resultados, esperando pela primeira vítima desatenta.

Exemplo de site falso do gov.br
Site falso do gov.br. Fonte: Reprodução / Tecmundo

A jornada do golpe é sempre similar, mas eficaz: um falso login captura o CPF, uma API controlada por criminosos valida a informação para dar aparência de legitimidade, e um formulário de várias etapas vai pescando mais dados.

As solicitações são diversas, vão desde o endereço a data de nascimento e, por fim, solicita um pagamento via Pix.

Os motivos de pagamento são dos mais variados, seja para “finalizar” a emissão de uma CNH grátis ou para “garantir” uma vaga de emprego inexistente.

Os golpistas ainda estimulam o medo, exibindo mensagens como “o prazo está encerrando hoje”, ou “uma multa será aplicada se a ação não for imediata”.

Contudo, o problema é que o processo legítimo de consulta ao Sistema Valores a Receber, do Banco Central, é gratuito, não há cobrança alguma para verificar se há valores esquecidos.

Apesar da engenhosidade do golpe, as autoridades e gigantes da tecnologia já identificaram o esquema.

A Zscaler, por exemplo, aponta que essas páginas são geradas com inteligência artificial e otimizadas para aparecer nos primeiros resultados de busca, o chamada “envenenamento de SEO”, conforme apontou o Tecmundo.

Assim, não se trata de casos isolados: só no Facebook, mais de 800 anúncios fraudulentos foram veiculados por cerca de 30 páginas falsas, atingindo quase 2 milhões de pessoas.

O problema não é só nacional

Esta ameaça, porém, não tem fronteiras. Enquanto no Brasil o cavalo de Troia são sites clonados, nos Estados Unidos a fraude chega por meio de promessas de dinheiro gratuito (grants) do governo.

Scammers especializados contactam as pessoas por telefone, e-mail e redes sociais, se passando por agências reais como a SSA (Social Security Administration) ou inventando nomes oficialistas, como a “Federal Grants Administration”.

A narrativa é até sedutora: “você foi selecionado para receber uma verba para educação, reparos na casa ou pagar dívidas”.

No entanto, o desfecho é igualmente amargo: para liberar o suposto dinheiro, é preciso pagar uma “taxa de processamento” antecipada, geralmente usando cartões-presente ou criptomoedas.

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O que as autoridades tem feito para resolver o problema?

O problema se aprofunda quando saímos do mundo das falsas promessas e entramos no campo do crime organizado digital.

A Polícia Federal tem investigado operações de alta complexidade que usam a identidade do governo como isca para atividades ainda mais nefastas.

Na Operação “Face Off”, deflagrada em maio de 2025, a PF desarticulou uma organização que usava deep fakes e técnicas avançadas de alteração facial para burlar os sistemas biométricos de autenticação do gov.br.

Imagine só o seguinte cenário: criminosos conseguindo simular seus traços faciais para assumir o controle total da sua conta digital, acessando todos os serviços públicos e informações sensíveis vinculados a ela.

Os danos seriam imensuráveis, desde contas de serviços governamentais invadidos até contas bancárias.

Em julho do mesmo ano, a Operação “Magna Fraus” revelou outra faceta: a lavagem de dinheiro proveniente dessas fraudes usando criptoativos, com R$ 5,5 milhões em criptomoedas apreendidos só nessa ação.

São camadas de ilegalidade que mostram que o golpe inicial é apenas a ponta de um iceberg criminoso.

Dessa forma, diante de um cenário tão complexo, deixamos a seguinte pergunta:

Como se proteger?

A resposta está em uma vigilância crítica e proativa.

A regra de ouro é desconfiar de qualquer oferta que pareça boa demais para ser verdade, porque na verdade quase sempre é.

Para se proteger, o caminho é simples, mas exige atenção: desconfie sempre de URLs estranhas, insista em digitar o endereço na barra do navegador e verifique se há o “.gov.br” e o cadeado de segurança.

Além disso, sempre esteja atento ao seu bom senso: o governo federal não distribui kits de churrasco, cerveja ou celular, e benefícios em dinheiro seguem sempre um edital e processo formal de solicitação.

Na prática, isso significa verificar sempre o domínio do site, afinal, todos os portais oficiais terminam em gov.br, qualquer diferença, suspeite. Por exemplo:

  • Site oficial: https://www.gov.br/
  • Site falso: http://gov.br.concursoescola.org 

Vale destacar o quanto é importante priorizar o acesso aos serviços diretamente pelo portal GOV.BR ou por seus aplicativos oficiais, evitando clicar em links enviados por outras pessoas, seja de mensagens ou de algum espaço online (redes sociais ou buscadores como o Google).

Lembre-se: nenhum órgão governamental legítimo pede pagamento via Pix, gift cards ou criptomoedas para liberar qualquer tipo de serviço ou benefício.

O Governo Federal utiliza o Pix para o pagamento de tributos e taxas através do sistema de arrecadação de receitas federais, mas é importante que você sempre verifique se o recebedor é um órgão oficial e não uma conta de terceiro ou que não pertença ao governo.

Caí no golpe do falso “gov.br”, o que fazer?

Se, mesmo com todos os cuidados, você cair em um golpe, agir rápido é crucial.

Contate seu banco imediatamente para tentar reverter uma transferência fraudulenta, registre um boletim de ocorrência e formalize uma denúncia.

Caso queira denunciar, o canal central é a plataforma Fala.BR da Controladoria-Geral da União (CGU), que recebe e encaminha manifestações para os órgãos competentes. Para crimes mais complexos, a Polícia Federal é a autoridade apropriada.

No fim das contas, a lição mais valiosa é que, no ambiente digital, a aparência pode ser profundamente enganosa.

A mesma tecnologia que traz conveniência e acesso também é aproveitada por criminosos para forjar credibilidade e explorar a confiança das pessoas no Estado.

Em um mundo onde deep fakes convencem sistemas biométricos e IAs criam sites oficialistas perfeitos, a defesa mais resiliente não é apenas técnica, mas é também comportamental: é a capacidade de questionar e sempre buscar o canal oficial.

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Escrito por
Samio Pereira

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